
Sabe quando você entende que é melhor usar palavras alheias que externar as suas, com mesmo teor??
Para que não fique tão obvio e pareça direto demais, ou indireto - depende.O fato é que hoje uso Clarice para que eu possa trasbordar sem deixar vestigio...e há vários post escritos sem final e sem ser publicados...por que é tão aparente a sua mudança a cada minuto, que receio em coloca-lo, por que minha capacidade de mudança( em tudo e contudo) é o que me impressiona e eu não sei de onde vem e se convem...do mais...
"Tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras; sou irritável e piro facilmente; também sou muito calma e perdôo logo; não esqueço nunca; mas há poucas coisas de que eu me lembre; sou paciente, mas profundamente colérica, como a maioria dos pacientes; as pessoas nunca me irritam mesmo, certamente porque eu as perdôo de antemão; gosto muito das pessoas por egoísmo: é que elas se parecem no fundo comigo; nunca esqueço uma ofensa, o que é uma verdade, mas como pode ser verdade, se as ofensas saem de minha cabeça como se nunca nela tivessem entrando? Tenho uma paz profunda, somente porque ela é profunda e não pode ser sequer atingida por mim mesmo; se fosse alcançável por mim, eu não teria um minuto de paz; quanto a minha paz superficial, ela é uma alusão à verdadeira paz; outra coisa que esqueci é que há outra alusão em mim - a do mundo grande e aberto; apesar do meu ar duro, sou cheia de muito amor e é isso o que certamente me dá uma grandeza...”
(C.Lispector)
(C.Lispector)
foto: belessa kapião e a grama - 12/10/06

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